Iniciativa Liberal

Iniciativa Liberal

Posted by colobas on

Fonte: https://iniciativaliberal.pt/europeias2019/

"A União Europeia, um espaço de liberdade por excelência, tem sido fundamental na melhoria da qualidade de vida de todos os europeus, incluindo os portugueses. Foi a seguir à adesão à Comunidade Económica Europeia que Portugal teve o maior período de convergência económica em democracia. Hoje, graças à criação do espaço Schengen, temos uma população mais virada para fora, aberta a experiências que estiveram vedadas a gerações anteriores. Graças à liberdade de circulação de bens, temos empresas mais competitivas que importaram as melhores práticas industriais nos seus sectores. Graças ao programa Erasmus, milhares de jovens tiveram a oportunidade de estudar fora do seu país, abrindo-se culturalmente ao resto da Europa. Porém, também é verdade que há mudanças sociais, económicas e culturais rápidas, aproveitadas por grupos políticos radicais para gerar vários tipos de medos. Medos económicos e sociais, que hoje levam alguns a quererem fechar-se e abdicar de muito do que foi conquistado. A gestão política interna faz com que muitos prefiram colocar as culpas da má gestão política do país na União Europeia, em vez de assumir os próprios erros. As consequências desta retórica de desculpabilização dos erros próprios é dar força a visões radicais sobre a Europa. Muitos hoje procuram fechar a nossa economia e as fronteiras. Sentem que, ao isolarem-se dos outros, se podem proteger e, em última análise, ficar numa melhor situação. Tal é, a nosso ver, errado. A cooperação voluntária, a liberdade na diversidade, o convívio tolerante e a concorrência entre diferentes visões trouxeram-nos ao ponto em que hoje nos encontramos: o melhor período da história para se viver, apesar do que dizem radicais de esquerda e direita. Defendemos, por isso, uma Europa do Estado de Direito, do primado das liberdades civis e da tolerância pluralista acompanhada de responsabilidade, onde a liberdade económica deve ser cada vez maior. Rejeitamos o autoritarismo colectivista e todos os extremismos baseados no medo que, à esquerda e à direita, vêm acompanhados de um forte estatismo. Em Maio de 2019, os Europeus são chamados a fazer uma escolha fundamental. A escolha entre uma Europa mais fechada, com medo de toda a mudança económica e social, e uma Europa aberta que continue com a livre circulação de mercadorias, de serviços, de pessoas e de capitais. Rejeitamos uma visão de futuro binária para a Europa em que as duas únicas opções sejam o recuo nas liberdades fundamentais ou uma integração excessiva. Consideramos que as duas visões se alimentam mutuamente. Querer que o tema tenha apenas dois pólos é caminho aberto para a ascensão de demagogos de ambos os lados. A UE é uma construção inacabada, com estruturas confusas, burocráticas e com défice democrático, mas é graças a este projeto que a Europa vive hoje livre de alguns problemas graves que a acompanharam ao longo 2 da história. É graças à liberdade que este projeto político permitiu que a Europa é hoje um lugar de prosperidade e oportunidade. Sessenta e sete anos após o tratado de Roma, a Europa vive o seu mais longo período de paz e prosperidade. É essa Europa das pessoas, a Europa em que queremos viver e deixar de legado aos nossos filhos e netos. Defendemos uma Europa com uma visão positiva, que não vê ameaças em todo o lado, tolerante com a diferença e que acolhe a iniciativa privada. Mas esta é também uma Europa que sabe olhar para a realidade política atual e para as especificidades culturais de vários Estados Europeus, que compreende algum cepticismo que existe face a Bruxelas, apesar da maioria das pessoas felizmente continuar a ser europeísta. Esta é a Europa que percebe que não podemos defender um excessivo aprofundamento na integração europeia, sob pena das reações políticas poderem destruir todo o projeto europeu, incluindo tudo o que de bom nos deu até hoje. Defendemos a unidade na diversidade. Nós, Europeus, apesar das nossas diferenças, aprendemos a cooperar e a tomar decisões conjuntas que determinam o nosso futuro. A Europa já não é só um bloco de várias nações, mas sim um espaço transfronteiriço com um entendimento comum de democracia, justiça e economia de mercado. Nenhum destes feitos deve ser tomado como adquirido, cabendo-nos defendê-los. A UE continua a ser para Portugal uma influência positiva em domínios nos quais o nosso país tem ainda muito por onde evoluir. É o caso da transparência, da justiça, da exigência cívica, da concorrência, e da cultura do mérito. Olhando para o nosso panorama partidário não é de rejeitar completamente a possibilidade de que tenha sido a pertença à União Europeia a impedir Portugal de se ter tornado nos últimos anos na Venezuela da Europa. Nós, Portugueses, que frequentemente nos vemos como periféricos, arredados dos centros de decisão, que vivemos recentemente uma crise económica com impactos profundos a nível social, somos aqui chamados a decidir o que queremos para a União Europeia. E não podemos deixar de nos pronunciar sobre as escolhas que nos são dadas, sob prejuízo que outros se pronunciem por nós."